quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014

CONFERÊNCIA DO POVO DE TERREIRO - ESTADUAL DE 20 A 23 DE MARÇO






REGIMENTO INTERNO DA I CONFERÊNCIA ESTADUAL DO POVO DE TERREIRO DO ESTADO DO RIO GRANDE DO SUL


CAPÍTULO I
DOS OBJETIVOS

Art. 1º A I Conferência Estadual do Povo de Terreiro do Estado do Rio Grande do Sul convocada por intermédio do Decreto nº 50.932, de 27 de novembro de 2013, tem como objetivos:

I – afirmar pressupostos afroaxiológicos com bases nos ditames civilizatórios de matriz africana e amalgamados na diáspora brasileira rio-grandense de forma a possibilitar a reterritorialização material e simbólica, em que a Humanidade e a Dignidade Existencial Afrocentrada sejam recompostas/restabelecidas obtendo corporificação na dinâmica das relações étnico-raciais do Estado, mediante concretude no campo das relações de poder, por intermédio de políticas públicas como reparação política-cultural-econômica e eliminação de todas as formas de discriminação, bem como dos resquícios do colonialismo e da colonialidade vigente;

II – consolidar a criação do Conselho Estadual do Povo de Terreiro, conforme Decreto nº 50.112, de 27 de fevereiro de 2013; e

III – propor diretrizes para elaboração de um programa estratégico de implementação de políticas públicas para o Povo de Terreiro e para o conjunto das Populações de Ascendência Africana.

Parágrafo único. A I Conferência Estadual do Povo de Terreiro do Estado do Rio Grande do Sul possui como base conceitual a Afrocentricidade, entendida como uma forma de ver o mundo e a si mesmo a partir da sua própria história, ação e lugar na comunidade em que se está inserido, onde:

                                                 
CAPITULO II
DO TEMÁRIO

Art. 2º A I Conferência Estadual do Povo de Terreiro do Estado do Rio Grande do Sul será realizada na cidade de Porto Alegre, sob a coordenação do Comitê Estadual do Povo Terreiro no âmbito do Gabinete do Governador do Estado.

Parágrafo único. A  Conferência será presidida pela Coordenação do Comitê Estadual do Povo de Terreiro.
Art. 3º A I Conferência Estadual do Povo de Terreiro do Estado do Rio Grande do Sul terá como tema central: A Matriz Africana e seus Pressupostos Civilizatórios, desdobrando os respectivos eixos temáticos em:

 I – Matriz Civilizatória Africana: Direitos Humanos;
.
II - Matriz Civilizatória Africana: Marco Legal, Racismo e Intolerância Religiosa;

III - Matriz Civilizatória Africana: Desenvolvimento Sustentável e Comunidade Tradicional; e

IV – a Matriz Civilizatória Africana: Organização Social, Política e Educação.

§ 1º  Dos Objetivos de cada eixo:

I - Eixo I: aprofundar e pactuar elementos filosóficos e teológicos eminentes ao reconhecimento da visão e da prática cultural e civilizatória do Povo de Terreiro;
II - Eixo II: avaliar, aprimorar, sugerir propostas de leis e instrumentos de combate a Intolerância Religiosa e de reconhecimento a prática cultural de Matriz Africana;
III - Eixo III: estabelecer um conjunto de diretrizes que legitime ações e Programas de Interesse do Povo de Terreiro; e
IV - Eixo IV: aprofundar parâmetros jurídicos de organização institucional do terreiro, estabelecer modelo de relação e deliberação para com o Estado e estabelecer  diretrizes para formação do Povo de Terreiro
§ 2º  Do Conteúdo programático de cada eixo:

I - Eixo I: legislações e Mapa da Intolerância Religiosa no RS;
II - Eixo II: meio ambiente, educação, cultura, saúde, economia, segurança pública, habitação e saneamento, desenvolvimento urbano e rural, desenvolvimento econômico e social, comunicação, empreendedorismo, território, ciência e tecnologia, alimentação, cooperativismo, trabalho, turismo, esporte e lazer;
III – Eixo III: conceitual, filosófico, teológico, valores e princípios que permeiam a cidadania do Povo de Terreiro; e
IV - do Eixo IV: mapeamento, modelo institucional dos terreiros e organização da participação popular do Povo de Terreiro.


Art. 4° A I Conferência Estadual do Povo de Terreiro do Estado do Rio Grande do Sul deverá propiciar a participação ampla e democrática e seu relatório final deverá apontar ações de políticas efetivas de promoção para o Povo de Terreiro e para o conjunto da população de ascendência africana.


                                                CAPÍTULO III
                                             DA REALIZAÇÃO



Art. 5º A I Conferência Estadual do Povo de Terreiro do Estado do Rio Grande do Sul será precedida de conferências regionais e/ou municipais, convocadas pelos municípios, cujas contribuições serão consideradas para a Conferência Estadual.

Art. 6º  Os(as) delegados(as) que não forem originários(as) deverão ser eleitos(as) nas etapas regionais e/ou municipais, na proporção de uma vaga para três participantes, observando o teto de vagas estabelecidas para região conforme quesito de autodeclaração na respectiva região informado no Censo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística - IBGE 2010.

§ 1º  Para efeitos deste Regimento o quesito de autodeclaração referido no parágrafo caput é a somatória dos resultados gerais da amostra do Censo IBGE 2010, no que se refere aos dados sobre candomblé, (leia-se batuque para no Estado do Rio Grande do Sul), umbanda e outras declarações de religiosidade afro-brasileira.

§ 2º  Os anexos  a este Regimento repercutem a metodologia utilizada para definir o teto de vagas e a proporção de cada Município e:

I - todos os membros titulares do Comitê Estadual do Povo de Terreiro - CPTRS são delegado originários da I Conferencia Estadual do Povo de Terreiro;

II – quando o numero de participantes for superior ao numero de vagas da regional ou municipal, estipulada pelo Anexo II
devera ser utilizado o critério proporcional; e                      


III – ficam asseguradas as vagas dos Municípios que participarem da regional na proporção da amostra da tabela em.Anexo I

Art. 7º As etapas da I Conferência Estadual do Povo de Terreiro do Rio Grande do Sul serão realizadas nos seguintes períodos:

I – etapas regionais e/ou municipais – até 28 de fevereiro de 2014; e

II - etapa estadual - 20 a 23 de março de 2014.

§ 1º A não-realização da etapa prevista no inciso I em uma ou mais unidades do Estado não constituirá impedimento à realização da etapa estadual.
§ 2º A observância dos prazos para a realização das conferências regionais e/ou municipais é condição para a participação dos(as) delegados(as) correspondentes na etapa estadual.

§ 3º A composição das comissões organizadoras deverá assegurar a representação do poder público e da sociedade civil.

§ 4º As comissões organizadoras deverão assegurar as condições de acessibilidade para pessoas com deficiência.


CAPITULO IV
DA ORGANIZAÇÃO

Seção I
Da Comissão Organizadora Estadual


Art. 8º Fica constituída a Comissão Organizadora Estadual, responsável por organizar, implementar e acompanhar o desenvolvimento das atividades da  I Conferência Estadual do Povo de Terreiro do Estado do Rio Grande do Sul.

Art. 9º Compete aos governos às Prefeituras Municipais constituir as respectivas comissões organizadoras, com as quais a Comissão Organizadora Estadual manterá interlocução.


Art. 10. A Comissão Organizadora Estadual será composta pelo Gabinete do Governador/Coordenação do Comitê Estadual do Povo de Terreiro do Estado do Rio Grande do Sul e pelos membros do Comitê Estadual do Povo de Terreiro do Rio Grande do Sul que representam a sociedade civil e os órgãos da administração pública.

Parágrafo único. A Presidência da Comissão Organizadora Estadual será exercida pelo Gabinete do Governador/Coordenação do Comitê Estadual do Povo de Terreiro do Estado do Rio Grande do Sul.
 
Art. 11. Serão constituídas as seguintes subcomissões, para auxiliar a Comissão Organizadora Estadual:

I - Subcomissão de Metodologia;
II - Subcomissão de Comunicação;
III - Subcomissão de Logística; e
IV - Subcomissão de Articulação e de Mobilização.

§ 1º Será designado(a) pela Comissão Organizadora Estadual, um(a) Coordenador(a) geral das para as atividades de cada subcomissão.

§ 2º Poderão ser convidados membros da sociedade civil e servidores(as) da Administração Pública Estadual para compor as subcomissões.

Art. 12. Será instituída, mediante ato do(a) Presidente(a) da Comissão Organizadora Estadual uma Coordenação Executiva, com representantes indicados pela Comissão Impulsora do Comitê Estadual do Povo de Terreiro do Estado do Rio Grande do Sul, conforme segue:

I – três da Administração Pública Estadual; e
II - três da sociedade civil.



Seção II
Das Atribuições da Comissão Organizadora Estadual e das Subcomissões


Art. 13. À Comissão Organizadora Estadual da I Conferência Estadual do Povo de Terreiro do Estado do Rio Grande do Sul  compete:

I - organizar, acompanhar e avaliar a realização da I Conferência Estadual do Povo de Terreiro do Estado do Rio Grande do Sul;
II - coordenar as subcomissões indicadas no art. 11 deste Decreto;
III - indicar os integrantes das subcomissões, podendo ampliar a composição destas, sempre que houver necessidade;
IV – acompanhar e assessorar as Comissões Organizadoras Regionais;
V - definir a metodologia da elaboração dos documentos de discussão, bem como do relatório final da I Conferência Estadual do Povo de Terreiro do Estado do Rio Grande do Sul;
VI - definir o formato das atividades da I Conferência Estadual do Povo de Terreiro do Estado do Rio Grande do Sul, bem como o critério para participação dos convidados, expositores nacionais e internacionais dos temas a serem discutidos;
VII - aprovar a logística necessária à realização da I Conferência Estadual do Povo de Terreiro do Estado do Rio Grande do Sul;  
VIII - apreciar o relatório final da I Conferência Estadual do Povo de Terreiro do Estado do Rio Grande do Sul; e
IX - avaliar a prestação de contas da I Conferência Estadual do Povo de Terreiro do Rio Grande do Sul antes de submetê-la à apreciação final do Gabinete do Governador.


Art.14. Compete à Coordenação Executiva:

I - assessorar a Comissão Organizadora Estadual e garantir a implementação das iniciativas necessárias à execução das decisões tomadas em seu âmbito e no das subcomissões;
II - articular a dinâmica de trabalho entre a Comissão Organizadora Estadual e o Comitê Estadual do Povo de Terreiro do Estado do Rio Grande do Sul;
III - viabilizar a execução de tarefas específicas de cada atividade estabelecida pela Comissão Organizadora Estadual;
IV - propor e organizar as pautas das reuniões da Comissão Organizadora Estadual;
V - acompanhar as reuniões ordinárias e extraordinárias da Comissão Organizadora Estadual e, quando solicitada, também das subcomissões;
VI - organizar e manter os arquivos referentes a Conferência
VII - obter junto aos expositores os textos de suas apresentações para fins de arquivo e divulgação;
VIII - solicitar apoio de pessoal aos órgãos da Administração Pública Estadual, em caráter temporário ou permanente, no exercício de suas atribuições;
IX – elaborar, providenciar a impressão e o Regimento Interno da I Conferência Estadual do Povo de Terreiro do Rio Grande do Sul;
X - articular junto com a Subcomissão de Comunicação, com vista à elaboração de um plano geral de Comunicação Social da I  Conferência XI - monitorar o andamento das etapas regional e/ou municipal, da Conferência bem como receber o relatório final produzido por suas comissões organizadoras; e
XII - elaborar a prestação de contas da I Conferência.  
Art. 15. Compete à Subcomissão de Metodologia:
I - propor e elaborar textos de subsídio às discussões das conferências regionais e/ou municipais;
II - organizar os termos de referência do tema central e eixos temáticos, com vista a subsidiar a apresentação dos expositores da I  Conferência Estadual do Povo de Terreiro do Estado do Rio Grande do Sul;  
III - sugerir expositores para cada mesa temática;
IV - elaborar a relação de subtemas, os roteiros para os grupos de trabalho e o roteiro para a apresentação dos relatórios;
V - propor metodologia para a consolidação dos relatórios dos grupos;
VI - coordenar a consolidação dos relatórios dos grupos de trabalho; e
VII - elaborar, organizar e acompanhar a publicação do relatório final, junto à Subcomissão de Comunicação.

Art. 16.  À Subcomissão de Comunicação compete:
I - definir instrumentos e mecanismos de divulgação da I Conferência Estadual do Povo de Terreiro do Estado do Rio Grande do Sul;
II - promover a divulgação do Regimento da I Conferência Estadual do Povo de Terreiro do Rio Grande do Sul;  
III - orientar as atividades de comunicação social da Conferência;
IV - incentivar a cobertura pelos meios de comunicação da Conferência;
V – registrar e realizar a cobertura jornalística de todas as etapas da Conferência, com vista a divulgá-la e preservar a sua memória; e
VI - encaminhar e acompanhar a publicação do relatório final da Conferência, organizado pela Subcomissão de Metodologia.

Art. 17. À Subcomissão de Logística compete:

I – garantir a infraestrutura necessária à realização da I Conferência Estadual do Povo de Terreiro do Estado do Rio Grande do Sul, no que concerne a organização, o uso e a administração do espaço, bem como a instalação de equipamentos de audiovisual, de reprografia e de comunicação, hospedagem, transporte e alimentação dos participantes, garantia de acessibilidade e de primeiros socorros; e
II - avaliar, juntamente com a Comissão Organizadora Estadual e a Coordenação Executiva, a prestação de contas da I Conferencia Estadual do Povo de Terreiro.

Art. 18. À Subcomissão de Articulação e Mobilização compete:
I – estimular a organização, mobilização e acompanhar a realização das conferências regionais e/ou municipais; e
II - monitorar a elaboração e o encaminhamento dos relatórios das conferências regionais e/ou municipais à Comissão Organizadora Estadual da I Conferência Estadual do Povo de Terreiro do Estado do Rio Grande do Sul, em conformidade com o calendário previsto.

Art. 19. Compete a todas as subcomissões acompanhar todas as etapas regionais e/ou municipais da I Conferência Estadual do Povo de Terreiro do Estado do Rio Grande do Sul.

Seção III
Da Elaboração e Encaminhamento dos Relatórios


Art. 20.  Os relatórios das conferências regionais e/ou municipais serão elaborados em conformidade com o temário da I Conferencia Estadual do Povo de Terreiro do Estado do Rio Grande do Sul;

Art. 21.  As comissões organizadoras das conferências regionais e/ou municipais consolidarão os respectivos relatórios, contendo propostas e recomendações de caráter regional e/ou municipal, até 28 de fevereiro de 2014.
§ 1º  Os relatórios das conferencias regionais e/ou municipais serão encaminhados à Comissão Organizadora Estadual da seguinte forma:
I – versão completa que contenha a integra das propostas aprovadas nas conferencia regionais e/ou municipais; e
II – versão resumida de, no máximo, dez laudas, com espaçamento dois entrelinhas.

§ 2º  As versões referidas no § 1º deste artigo devem ser encaminhadas à Comissão Organizadora Estadual, para o endereço eletrônico conferencia-povodeterreiro@gg.rs.gov.br, até a data de 28 de fevereiro de 2014.

§ 3º  As versões, referidas no § 1º deste artigo, também deverão ser enviadas por correspondência registrada ou SEDEX em formato impresso e em disco compacto - CD, para a I Conferencia Estadual do Povo de Terreiro do Estado do  Rio Grande do Sul/Comitê Estadual do Povo de Terreiro, Palácio Piratini, Praça Mal. Deodoro s/n, Centro Histórico, Porto Alegre, RS. CEP 90010-282.

§ 4º  A Comissão Organizadora Estadual apenas considerará os relatórios enviados em conformidade com a forma e o prazo nos arts. 20 e 21 deste Regimento.

Art. 22.  O relatório final da I Conferência Estadual do Povo de Terreiro do Rio Grande do Sul será resultante das propostas apresentadas e aprovadas em plenário.


CAPÍTULO V
DA PARTICIPAÇÃO

.Art. 23.  A I Conferência Estadual do Povo de Terreiro do Estado do Rio Grande do Sul terá a participação de delegados, convidados e observadores.

Art. 24. Serão convidadas, pela Comissão Organizadora Estadual, autoridades, personalidades e representantes de entidades nacionais e internacionais.

Art. 25.  Participarão da  I Conferência Estadual do Povo de Terreiro do Estado do Rio Grande do Sul quinhentos delegados(as) distribuídos da seguinte forma:

I - trinta e sete delegados(as) originários(as), membros titulares do Comitê Estadual do Povo de Terreiro - CEPTRS;

II – quatrocentos e sessenta e três delegados(as) escolhidos(as) dentre os participantes nas conferências regionais e/ou municipais, em número estipulado pelo presente regimento, conforme quadro de delegados em anexo a este Regimento.

Art. 26.  Os delegados originários, membros titulares do CEPTRS, deverão participar de pelo menos uma das conferências regionais e/ou municipais.

Art. 27. Recomenda-se que a escolha das delegações nas conferências regionais e/ou municipais, atenda aos seguintes critérios:

I – 50% de mulheres;
II – 30% de jovens;
III – efetiva representação de órgãos públicos responsáveis pela promoção da igualdade racial e defesa de direitos.

Art. 28.  As inscrições de delegados(as) na I Conferência Estadual do Povo de Terreiro do Estado do Rio Grande do Sul deverão ser encaminhadas pelas Comissões organizadoras das conferências regionais e/ou municipais, à Comissão Organizadora Estadual, até o dia 28 de fevereiro de 2014.

§ 1º Cada conferência regional e/ou municipal, juntamente com a escolha dos(as) delegados(as), deverá eleger 30% do total da delegação para o preenchimento da suplência.


§ 2º Da lista de delegados(as) e de suplentes escolhidos nas conferências regionais e/ou municipais, deverá constar o número do Registro Geral – RG e o número do Cadastro de Pessoas Físicas – CPF dos participantes.

§ 3º Os suplentes substituirão os(as) delegados(as), na ausência destes, em conformidade com a  ordem da listagem de suplentes apresentada e de modo a manter-se a proporcionalidade entre delegados(as) representantes da sociedade civil e de órgãos públicos.

§ 4º Para a efetivação da suplência deverá ser apresentada carta de substituição assinada pelo(a) responsável, pela Comissão organizadora regional e/ou municipal ou pelo(a) delegado(a) impossibilitado(a) de comparecer à  Conferência
até o encerramento do credenciamento de delegados(as).

§ 5º As listas de delegados(as) deverão especificar os(as) participantes com deficiência e com necessidades especiais, a fim de que sejam providenciadas condições adequadas para sua participação na  Conferência.

.
CAPÍTULO VI
DOS RECURSOS FINANCEIROS

Art. 29. As despesas com a organização geral, hospedagem e alimentação de delegados(as) e convidados da etapa estadual da  I Conferência Estadual do Povo de Terreiro do Estado do Rio Grande do Sul correrão à conta do Gabinete Governador.
Parágrafo único. As despesas das conferências regionais e/ou municipais correrão por conta dos respectivos Municípios.
.

CAPÍTULO VII
DAS DISPOSIÇÕES GERAIS

Art. 30.  A Comissão Organizadora Estadual acompanhará as atividades da Coordenação Executiva, a qual deverá apresentar relatórios em todas as reuniões ordinárias e extraordinárias da Comissão Organizadora Estadual.
.
Art. 31. Os casos omissos neste Regimento Interno serão resolvidos pela Comissão Organizadora Estadual da I Conferência Estadual do Povo de Terreiro do Estado do Rio Grande do Sul.









1a. CONFERÊNCIA DO POVO DE TERREIRO DE URUGUAIANA-RS





CHEGOU A NOSSA HORA IRMÃO DE AXÉ, PARTICIPE!

EIXOS TEMÁTICOS DA I CONFERENCIA  ESTADUAL DO POVO DE TERREIRO DO RIO GRANDE DO SUL
Também  deverão ser tratados na 1ª. Conferência do Povo de Terreiro em Uruguaiana.  Dia 14/02/2014 ( sexta-feira), as 09:00 hs.  Salão Nobre da Prefeitura Municipal de Uruguaiana-RS


A  I Conferência Estadual do Povo de Terreiro do Rio Grande do Sul terá como tema central “A Matriz Africana e seus Pressupostos Civilizatórios”, desdobrando os respectivos eixos temáticos:

 I - A Matriz Civilizatória Africana: Direitos Humanos.
.
II - A Matriz Civilizatória Africana: Marco Legal, Racismo e Intolerância Religiosa

III - A Matriz Civilizatória Africana: Desenvolvimento Sustentável e Comunidade Tradicional.

IV - A Matriz Civilizatória Africana: Organização Social, Política e Educação.

 Objetivos de cada eixo:

I-                  Do Eixo I - Aprofundar e pactuar elementos filosóficos e teológicos eminentes ao reconhecimento da visão e da prática cultural e civilizatória do Povo de Terreiro.

II-              Do Eixo II - Avaliar, aprimorar, sugerir propostas de leis e instrumentos de combate a Intolerância Religiosa e de reconhecimento a prática cultural de Matriz Africana.


III-              Do Eixo III - Estabelecer um conjunto de diretrizes que legitime ações e programas  de Interesse do Povo de Terreiro

IV-             Do Eixo IV- Aprofundar parâmetros jurídicos de organização institucional do terreiro; estabelecer modelo de relação e deliberação para com o Estado; estabelecer  diretrizes para formação do Povo de Terreiro




Conteúdo programático de cada eixo:


I-                   Do Eixo I – Eixo conceitual, filosófico, teológico, valores e princípios que permeiam a cidadania do Povo de Terreiro;

II-                Do Eixo II – Legislações vigentes e Mapa da  Intolerância Religiosa no RS;

III-              Do Eixo III- Meio Ambiente, Educação, Cultura, Saúde, Economia, Segurança Pública, Habitação e Saneamento, Desenvolvimento Urbano e Rural, Desenvolvimento Econômico e Social, Comunicação, Empreendedorismo, Território, Ciência e Tecnologia, Alimentação, Cooperativismo, Trabalho,  Turismo, Esporte e Lazer;

IV-             Do Eixo IV- Mapeamento Modelo institucional dos terreiros, e organização da participação popular do Povo de Terreiro;





sexta-feira, 7 de fevereiro de 2014

07/02/2014- VOCÊ É UMBANDISTA?

Você é Umbandista?




Uma das questões de relevância dentro da comunidade umbandista diz respeito a se apontar, dentro de um raciocínio aplicável, a consciência do ser humano, se determinadas pessoas podem ser consideradas, de fato e de direito, como filhos da Corrente Astral de Umbanda.

Não queremos de forma alguma aplicar fórmulas matemáticas aos aspectos humanos, pois entendemos que cada um, dentro de seu estágio evolucional, tem uma maneira própria de se situar naquilo que conhece como religião, uma vez que os espíritos encarnados encontram-se em diferentes degraus da escala espírito-progressiva. No entanto, é certo e racional que firmemos parâmetros básicos que possam nortear uma definição, se não perfeita, pelo menos razoável, no que diz respeito a ser ou não ser considerado umbandista.

Tais considerações acima referidas prendem-se ao fato de que, ao vivenciarmos o Movimento Umbandista, nos deparamos com situações (atos e fato) que nos impulsionam a repelir determinadas formas de pensamento e comportamento, incompatíveis com os fundamentos da Umbanda Será umbandista aquele indivíduo que faz caridade vinculada a favores posteriores, ou aquele que se promove para um lugar de destaque, promovendo o "toma lá, dá cá"?

Será que pode ser considerado umbandista aquele que é cúmplice da escravidão religiosa, não esclarecendo aos enclausurados que só o conhecimento os libertará dos vendilhões do templo?

Será que é considerado umbandista o indivíduo que se omite diante do comportamento distorcido de um irmão de fé, não o auxiliando a desprender-se de certos conceitos prejudiciais a sua evolução?

Será que é umbandista aquele que, ao observar um irmão de fé com faculdades espirituais, morais, intelectuais e culturais que possam ser úteis para o progresso da Umbanda, ao invés de incentivá-lo a prosseguir, trata sorrateiramente de lhe "puxar o tapete", com medo que sua imagem fique ofuscada, ou por inveja?

Será que é umbandista aquele que valoriza as pessoas pelos títulos profissionais ou honoríficos e pelos bens que estas possuem, deixando em segundo plano os valores morais, éticos e espirituais?

Será que é considerado umbandista o indivíduo que ganha notoriedade num templo através de conchavos, ou através da mostra do saldo de sua conta bancária, e que tenta a todo o custo ser o centro das atenções?

 Será que tudo o que foi escrito até agora servirá de alerta e conselho, para que se regenerem e possam engrossar as fileiras dos verdadeiros filhos de Umbanda?

Esperamos que sim!

07/02/2014 - FALANGE DE BOIADEIROS

A Falange dos Boiadeiros



Reconhecidos por seu jeito peculiar, rápido e ágil de dançar, os espíritos que se apresentam na roupagem de boiadeiros são sempre muito austeros, cultivam valores profundos, como o respeito aos mais velhos, a boa educação, a sinceridade e a coragem; coragem essa adquirida ao longo de uma existência de adversidades, lutas e privações no trato com o gado, nas paragens inóspitas do sertão brasileiro.

Em suas consultas falam pouco e sempre com muito proveito, mas sua maior característica é a capacidade de capturar obsessores - a laço - e mantê-los sob vigilância, para o bom êxito das seções de desobsessão.

Nos trabalhos utilizam o tabaco, sob a forma de cigarros de palha, como elemento deletéreo e dispersor de energias negativas.  Ao se manifestarem, com os movimentos de seu chicote de seu laço, descarregam o ambiente, os médiuns e a assistência, enquanto entoam canções antigas, bem ao gosto do homem do sertão.

O traço mais característico de sua manifestação é o movimento circular com os braços, simulando o manejo de um laço.

Os nomes mais comuns utilizados por eles são: Boiadeiro de Minas, Zé Mineiro, Boiadeiro do Ingá, Boiadeiro da Jurema, Boiadeiro Chapéu de Couro, João Boiadeiro, Boiadeiro da Jurema, Boiadeiro de Imbaúba, entre outros.

Atuam dentro da vibração de Oxóssi e é, inclusive, muito comum nos referirmos a eles como Caboclos Boiadeiros. Suas cores são o verde, o vermelho e o branco, mas, nas guias também se pode utilizar o roxo, representativo de sua devoção a Sant'Ana. Sua saudação é "Chetuá Boiadeiro!".

07/02/2014 - CARNAVAL

O carnaval é considerado uma das festas populares mais animadas e representativas do mundo. Tem sua origem no entrudo português, onde, no passado, as pessoas jogavam uma nas outras, água, ovos e farinha. O entrudo acontecia num período anterior a quaresma e, portanto, tinha um significado ligado à liberdade. Este sentido permanece até os dias de hoje no Carnaval.

História do Carnaval 
O entrudo chegou ao Brasil por volta do século XVII e foi influenciado pelas festas carnavalescas que aconteciam na Europa. Em países como Itália e França, o carnaval ocorria em formas de desfiles urbanos, onde os carnavalescos usavam máscaras e fantasias. Personagens como a colombina, o pierrô e o Rei Momo também foram incorporados ao carnaval brasileiro, embora sejam de origem europeia.
No Brasil, no final do século XIX, começam a aparecer os primeiros blocos carnavalescos, cordões e os famosos "corsos". Estes últimos, tornaram-se mais populares no começo dos séculos XX. As pessoas se fantasiavam, decoravam seus carros e, em grupos, desfilavam pelas ruas das cidades. Está ai a origem dos carros alegóricos, típicos das escolas de samba atuais.
No século XX, o carnaval foi crescendo e tornando-se cada vez mais uma festa popular. Esse crescimento ocorreu com a ajuda das marchinhas carnavalescas. As músicas deixavam o carnaval cada vez mais animado.
A primeira escola de samba surgiu no Rio de Janeiro e chamava-se Deixa Falar. Foi criada pelo sambista carioca chamado Ismael Silva. Anos mais tarde a Deixa Falar transformou-se na escola de samba Estácio de Sá. A partir dai o carnaval de rua começa a ganhar um novo formato. Começam a surgir novas escolas de samba no Rio de Janeiro e em São Paulo. Organizadas em Ligas de Escolas de Samba, começam os primeiros campeonatos para verificar qual escola de samba era mais bonita e animada.

quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014

06/02/2013 - VIBRAÇÕES DE PRETO VELHO

Vibrações de Preto Velho
Quando falamos em Preto Velho, nos vem à mente quatro palavras básicas: calma, sabedoria, humildade e caridade.
Voltando no tempo, durante o período colonial brasileiro, as grandes potencias européias da época subjugaram e escravizaram negros vindos de diversas nações africanas, transformando-os em mercadorias, seres sem alma, apenas objetos de venda de trabalho.
Nesse mercado, os traficantes negreiros costumavam se utilizar de maneiras diversas para conseguir arrebanhar sua “mercadoria”: chegavam surpreendendo a todos na tribo, separavam, é claro, sempre os mais jovens e fortes. Costumavam buscar os negros nas regiões Oeste, Centro-Oeste, Nordeste e Sul daÁfrica. Trocavam por outras mercadorias, como espelhos, facas e bebidas, os que eram cativos oriundos de tribos vencidas em guerra e trazendo como escravos os que eram vencidos.
No Brasil, em principio os escravonegros chegaram pelo Nordeste; mais tarde, também pelo Rio de Janeiro. Os primeiros a chegarem foram os Bantos, Cabindos, Sudaneses, Iorubas, Minas e Malés.
Para a África, o trafico negreiro custou caro: em quatro séculos foram escravizados e mortos cerca de 75 MILHÕES de pessoas, basicamente a parte mais selecionada da população.
Esses negros, que foram brutalmente arrancados de sua terra, separados de suas famílias, passando por terríveis privações, trabalharam quase que ininterruptamente nas grandes fazendas de açúcar da colônia. O trabalho era tão árduo, que um negro escravo no Brasil não chegava a durar dez anos.
Em troca de tanto esforço, nada recebiam, a não serem trapos para se vestir e pão para comer, quando não eram terrivelmente açoitados nos troncos pelas tentativas de fuga e insubordinação aos senhores. Muitas vezes, reagiam a tudo suicidando-se, evitando a reprodução, matando feitores, capitães-do-mato e senhores de engenho.
O que restava ao negro africano escravo no Brasil era sua fé, e era em seus cultos que ela resistia, como um ritual de liberdade, protesto a reação contra a opressão do branco. As danças e cânticos eram a única forma que tinham para extravasar e aliviar a dor da escravidão.
Mas, apesar de toda a revolta, havia também os que se adaptavam mais facilmente à nova situação. Esses recebiam tratamento diferenciado e exerciam tarefas como reprodutores, caldeireiros ou carpinteiros. Também trabalhavam na Casa Grande, eram os chamados “escravos domésticos”. Outros, ainda, conquistavam a alforria através de seus senhores ou das leis (Sexagenário, Ventre Livre e Lei Áurea). Com isso, foram pouco a pouco conseguindo envelhecer e constituir seu culto aos Orixás e antepassados, tornando-se referencia para mais jovens, ensinando-lhes os costumes da Mãe África. Assim, através do sincretismo, conseguiram preservar sua cultura e religião.
ATUAÇÃO DOS PRETOS VELHOS
Esses são os Pretos Velhos da Umbanda, que em suas giras nos terreiros representam a força, a resignação, a sabedoria, o amor e a caridade. São um ponto de referencia para aqueles que os procuram, curando, ensinando e educando, aos encarnados e desencarnados necessitados de luz e de um caminho a trilhar.
Um Preto Velho representa a humildade, jamais demonstrando qualquer tipo de sentimento de vingança contra as atrocidades e humilhações sofridas no passado. Pretos Velhos ajudam a todos, independente de cor, sexo ou religião.
Em sua totalidade, não se pode afirmar que as entidades que se apresentam nas giras são os mesmosPretos Velhos escravos. Muitos passaram por ciclos reencarnatórios e podem ter sido em suas vidas anteriores médicos ou filósofos, ricos ou pobres, e, para cumprir sua missão espiritual e ajudar aos necessitados, escolheram incorporar a forma de Pretos Velhos. Outros, nem negros foram, mas também escolheram essa forma de apresentação.(grifo nosso)
Muitos podem estar perguntando: “Mas então os Pretos Velhos não Pretos Velhos?”. A explicação é simples: todo espírito que já alcançou determinado grau de evolução tem a capacidade de descer sob qualquer forma passada, pois é energia pura, a forma é apenas uma conseqüência da missão que vem cumprir na Terra. Podem também, em locais diferentes, se apresentarem como médicos, Caboclos ou até Exu, depende do trabalho a que vêm realizar. Em alguns casos, se tiverem autorização, eles mesmos nos dizem quem são.
MENSAGENS DE PRETO VELHO
A principal cararacterística de um Preto Velho é a de conselheiro; para alguns, são como psicólogos, amigos e confidentes, para outros, são os que lutam contra o mal com suas mirongas, banhos de ervas, pontos riscados, sempre protegidos pelos Exus de Lei.
A figura de um Preto Velho representa a paciência e a calma que todos sempre devemos ter para evoluir espiritualmente, essa é a sua principal mensagem.
Certas pessoa costumam procurar um Preto Velho apenas para resolver problemas materiais, usando os trabalhos na Umbanda para beneficio próprio, esquecendo de ajudar ao próximo. Quanto a isso, esses maravilhosos Espíritos de Luz deixam sempre uma importante lição, a de que essas pessoas, preocupadas apenas consigo próprias, são escravas do próprio egoísmo, mas sempre procuram ajudá-las brincando de “pedir obrigações”. Mas em meio a essas pessoas, sempre haverá os que podem ser aproveitados, que em pouco tempo vestirão suas roupas brancas, descalçarão seus pés e farão parte dos trabalhos de caridade do terreiro. Essa é a sabedoria do Preto Velho, saber lapidar o que há de bom em cada um de nós.
Pretos Velhos levam a força de Zambi a todos que buscam aprender a encontrar sua fé, sem julgar ou colocar pecado em ninguém, mostrando que somente o amor a Deus, ao próximo e a si mesmo, poderá mudar sua vida e seu processo de ciclos reencarnatórios, aliviando os sofrimentos cármicos e elevando o espírito. Assim fortalecem a todos espiritualmente, aliviando o peso do fardo de cada um, e cada um pode fazer com que seu sofrimento diminua ou aumente, de acordo com a forma de encarar os acontecimentos de sua vida: “Cada um colhe o que plantou. Se plantares vento, colherás tempestade. Mas, se entender que lutando poderá transformar seu sofrimento em alegria, verá que deve tomar consciência de seu passado, aprendendo com os erros, galgando o crescimento e a felicidade futura. Nunca seja egoísta, sempre passe aos outros aquilo que aprende. Tudo que receber de graça, deverá dar também de graça. Só na fé, no amor e na caridade, poderá encontrar seu caminho interior, a luz e Deus” (Pai Cipriano)
APRESENTAÇÃO DA ENTIDADE
O termo “Velho, Vovô e Vovó, são usados para mostrar sua experiência, pois, quando pensamos em alguém mais velho, entendemos que este já viveu muito mais tempo do que nós, com coisas para nos passar e historias para nos contar através de sua longa experiência. No mundo espiritual isso é bastante parecido, e a característica da entidade Preto Velho é sempre o conselho.
Suas vestes são bem simples e não necessitam de muitos apetrechos para trabalhar, apenas da concentração e atenção de seu médium durante a consulta. Costumam usar cachimbo, lenços, toalhas e algumas vezes fumo de corda ou cigarro de palha.
Sua incorporação não necessita de dançar ou pular muito. A vibração começa com um “peso” nas costas, fazendo com que o médium incline o corpo para frente, sempre com os pés bem fixos no chão. Andam apenas para as saudações ao Atabaque, Conga e Babalorixá. Atendem sentados praticando sua caridade. Raras às vezes alguns mantêm-se em pé.
Sua simplicidade se manifesta em sua maneira de ser e de falar, sempre usando um vocabulário simples. A maneira carregada com que falam é para mostrar que são bastante antigos.
A Linha de Preto Velho possui suas características gerais, mas cada médium tem uma coroa diferente, determinando as diferenças entre os Pretos Velhos.
As diferenças ocorrem porque cada Preto Velho trabalha em nome de um Orixá, utilizando a essência de cada força da natureza em sua atividade. Essas diferenças são facilmente percebidas na forma de incorporação.

http://povodearuanda.wordpress.com/2010/10/07/vibracoes-de-preto-velho/



sábado, 1 de fevereiro de 2014

DIA 02 DE FEVEREIRO DIA DE IEMANJÁ


02/02/2014 - DIA DE IEMANJÁ

2 de fevereiro, dia de Iemanjá, a Majestade dos Mares, Senhora dos Oceanos, Sereia Sagrada, Rainha das Águas Salgadas, Mãe de todos os Orixás.

Autor: Oswaldo Amaral | Tags: 
Iemanjá é a regente absoluta dos lares, protetora da família. Chamada também como a Deusa das Pérolas, Iemanjá é aquela que apara a cabeça dos bebês no momento do nascimento.
Essa força da natureza também tem um papel muito importante em nossas vidas, pois é ela que vai reger nossos lares, nossas casas. É Iemanjá que vai dar o sentido de“família” a um grupo de pessoas que vivem debaixo de um mesmo teto. Ela é a geradora de personalidade ao grupo formado por pai, mãe e filhos, transformando-os num grupo coeso.
Iemanjá é o sentindo de educação que damos aos nossos filhos, os mesmos que recebemos de nossos pais, que aprenderam com nossos avós. Ela, Iemanjá, rege até o castigo, as sanções que aplicamos aos filhos. É o sentido básico, é a base da formação de uma família, aquela que vai gerar o amor do pai pelo filho, da mãe pelo filho, dos filhos pelos pais, transformando tais sentimentos num só, poderoso, imbatível, que se perpetuará.
Iemanjá é a família! Rege as reuniões de família, os aniversários, as festas de casamento, as comemorações que se fazem dentro da família. É o sentido da união, seja ligado, por laços consangüíneos, ou não.
Dentro do culto, numa casa de santo, Iemanjá também atua organizando e dando sentindo ao grupo, à comunidade ali reunida e transformando essa convivência num ato familiar; criando raízes e dependências; proporcionando o sentimento de irmão pra irmão em pessoas que há bem pouco tempo não se conheciam; proporcionando também o sentimento de pai para filho, ou de mãe para filho e vice-versa, nos casos do relacionamento do Babalorixás, ou Ialorixás como os Omo Orixás (filhos de Santo).
Iemanjá também está presente nas decisões, nos momentos de angústia e preocupação pelo ente querido, pois seus sentimentos geram os nossos, A necessidade de saber se aqueles que amamos estão bem, a dor pela preocupação, é uma regência de Iemanjá, que não vai deixar morrer dentro de nós o sentido de amor de amor ao próximo, principalmente em se tratando de um filho, filha, pai, mãe, outro parente, ou amigo muito querido. E estendemos isso, também, às comunidades da Religião.
Iemanjá é a preocupação e o desejo de ver aquilo que amamos a salvo, sem problemas. É a manutenção da harmonia do lar.
Está presente também no nascimento, pois é ela quem vai aparar a cabeça do bebê, exatamente no momento do seu nascimento. Se Exu fecunda e Oxum cuida da gestação, é Iemanjá quem vai receber aquela nova vida no mundo e entregá-la ao seu regente, que inclusive pode ser até ela mesma. Isto tem uma importância muito grande, no sentido e na visão da Cultura Africana, sobre a fecundação e concepção da vida humana. Iemanjá é a senhora dos lares, pois, desde o nascimento, ou a partir do nascimento, ela cuidará da família.
Daí o titulo de Iyá (mãe), melhor, Iyá – Ori (mãe da cabeça) e plasmadora de todas as cabeças; aquela que gera o Ori, que dá o sentido da vida e nos permite pensar, raciocinar, viver normalmente como seres pensantes e inteligentes.
Iemanjá está presente nos mares e oceanos. É a Senhora das águas salgadas e será ela que proporcionará boa pesca nos mares, regendo os seres aquáticos e provendo o alimento vindo de seu reino. Iemanjá é a onda do mar, o maremoto, a praia em ressaca, a marola, É ela quem controla as marés, é ela quem protege a vida no mar.
Mitologia
     Filha de Olokun (figura acima), Iemanjá nasceu nas águas. Teve três filhos: Ogum, Oxossi e Exu.
Conta a lenda que Ogum (figura ao lado), o guerreiro, filho mais velho, partiu para as suas conquistas; Oxossi, que se encantara pela floresta, fez dela a sua morada e lá permaneceu, caçando; e Exu, o filho problemático, saiu pela mundo.
Sozinha Iemanjá vivia, mas sabia que seus filhos seguiam seus destino e que não podia interferir na vida deles, já que os três eram adultos.
Comentava consigo mesma:   
- Ogum nasceu para conquistar. É bravo, corajoso, impetuoso. Jamais poderia viver num lugar só. Ele nasceu para conhecer estradas, conquistar terras, nasceu para ser livre. Exu, que tantos problemas já me deu, nasceu para conhecer o mundo e dos três é o mais inconstante, sempre preparado surpresas; imprevisível, astuto, capaz de fazer o impossível, também nasceu para conhecer o mundo. Oxossi (figura ao lado), meu querido caçula, bem que tentei prendê-lo a mim, mas no fundo sabia que teria seu destino. Ele é alegre, ativo, inquieto. Gosta de ver coisas belas, de admirar o que é bonito e é um grande caçador. Nasceu para conhecer o mundo também e não poderia segurá-lo…
Iemanjá estava perdida em seus pensamentos quando viu que, ao longe, alguém se aproximava. Firmou a vista e identificou-o: era Exu, seu filho, que retornara depois de tanto tempo ausente.
Já perto de seu mãe, Exu saudou-a e comentou:
- Mãe, andei pelo mundo mas não encontrei beleza igual à sua. Na conheci ninguém que se comparasse a você!
- O que está dizendo, filho? Eu não entendo!
- O que quero dizer é que você é a única mulher que me encanta e que voltei para  possuí-la, pois é a única coisa que me falta fazer neste mundo!
E sem ouvir a resposta de sua mãe, Exu tomou-lhe à força, tentando violentá-la. Uma grande  luta se deu, pois Iemanjá não poderia admitir jamais aquilo que estava acontecendo. Bravamente, resistiu às investidas do filho que, na luta, dilacerou os seis da mãe. Enlouquecido e arrependido pelo que fez, Exu “caiu no mundo”, sumindo no horizonte.
Caída ao chão, Iemanjá entre a dor, a vergonha, a tristeza e a pena que teve pela atitude do filho, pediu socorro ao pai Olokun (figura ao lado) e ao Criador, Olorun (figura abaixo). E, dos seus seios dilacerados, a água, salgada como a lágrima, foi saindo, dando origem aos mares.
Exu, pela atitude má, foi banido para sempre da mesa dos Orixás, tendo como incumbência eterna ser o guardião, não podendo juntar-se aos outros, na corte.
Iemanjá que, deste modo, deu origem ao mar, procurou entender a atitude do filho, pois ela é a mãe verdadeira e considerada a mãe não só de Ogum, Exu e Oxossi, mas de todo o panteão dos Orixás.
 DADOS:
Dia: sábado;
Data: 2 de fevereiro;
Metal: prata e prateados;
Cor: branco transparente;
Partes do corpo: cabeça (inconsciente e equilibro mental), cérebro (comanda o corpo);
Comida: epo de milho branco, manjar branco com leite de coco e açúcar, acaçá, peixe de água salgada, bolo de arroz, mamão.
Arquétipo: voluntariosos, fortes, rigorosos, protetores, altivos e algumas vezes, impetuosos e arrogantes. Têm sentido de hierarquia, fazem-se respeitar, são justos e formais. Põem à prova as amizades que lhe são devotadas, custam muito a perdoar uma ofensa e, se perdoam, não esquecem jamais. Preocupam-se com os outros, são maternais e sérios. Sem possuírem a vaidade de Oxum, gostam do luxo, das fazendas azuis e vistosas, das jóias caras. Tem tendência a vida suntuosa, mesmo se as possibilidades não lhes permitem tal falso.
Símbolo: abebê branco.
Fonte: Candomblé e Orixás